Soja busca recuperação das entregas no Brasil

As cotações da soja tiveram nesta sexta-feira (1º.06) um dia de altas no mercado físico brasileiro, buscando recuperação das entregas após a greve e o feriado. De acordo com os índices do Cepea, apurados junto aos diversos participantes do mercado, em média os preços subiram 0,33% nos portos e 0,35% no interior do País.

Segundo o analista Luiz Fernando Pacheco, da T&F Consultoria Agroeconômica, as valorizações foram impulsionadas pela alta do dólar, que subiu 0,8% no dia e 2,68% na semana e pela leve alta de 0,17% em Chicago (apesar de ter caído 1,94% na semana): “Depois de quase duas semanas de paralisação nas entregas, devido à greve dos caminhoneiros, a demanda por matéria prima aumentou, para os compradores – indústrias e exportadores – começarem a zerar os enormes prejuízos causados por este período de completa estagnação das atividades puxaram levemente os preços para cima no final da semana”.

De acordo com ele, a implantação da nova tabela de fretes criou insegurança e incerteza sobre o real valor das mercadorias: “Sem frete não há mercado. Contudo, analisando de perto a Resolução (Nº 5.820, de 30 de Maio de 2018), que publica tabela com preços mínimos, se chega à conclusão de que os fretes para Rio Grande devem aumentar algo como 28%, passando dos atuais R$ 80,00/t (porque tem retorno) para cerca de 102,40/tonelada, com grandes reflexos sobre os preços dos vendedores. Os fretes de retorno devem subir na opinião de especialistas algo como 85%”.

“As médias pesquisadas pelo Cepea registraram avanço de 0,48% nos preços dos portos durante esta semana e 0,70% nos preços pagos pelas indústrias no mercado interno. Mas, a conclusão principal a tirar da análise dos gráficos é a de que foram invertidas para cima as tendências dos preços da soja nos portos e no mercado interno (que estavam caindo), porque uma pequena elevação nos preços é menor do que os prejuízos de ficar parado com a greve. Já Chicago está em patamares bem abaixo de uma semana atrás e a tendência é continuar assim, dadas as boas condições climáticas sobre as áreas plantadas com soja nos EUA”, conclui.

Fonte: Agrolink